12 de julho de 2014
Uma das características que eu mais admiro, em algo ou alguém, é a criatividade. Criatividade atrai. Criatividade critica enquanto brinca, e revela enquanto sugere. Muitas vezes entretém, e nos faz ver a vida com outros olhos. Ou ainda, expõe características que são próprias de nós, numa perspectiva totalmente diferenciada. Pensando nisso, escolhi três perfis, no instagram, que exploram a criatividade ao revelar‘estilos de vida’ de maneira bem humorada. 



Utilizando (apenas) comida e, com um pouco de arte, muito capricho e riqueza em detalhes, a japonesaSamantha Lee, mãe de duas filhas, virou celebridade no instagram ao começar a preparar pratos que estimulassem sua filha mais nova a comer. Mais tarde, técnicas e habilidades desenvolvidas a levaram a marca de quase 300 mil seguidores. Em sua página do facebook, Samantha revela os ingredientes utilizados em cada prato.

Com pouco mais de um mês desde a sua criação e sob a descrição ‘A vida é curta, mas eu tenho 7. Vou aproveitar para ser 1 coisa por dia!’, o perfil bem humorado ‘Cansei de ser gato’ explora personalidades, personagens, situações e artistas da atualidade.
A Expoflora, maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina, ocorreu durante o período de 30 de Agosto a 29 de Setembro em Holambra (localizada à 140 km da grande São Paulo). O evento contou com atividades como exposição de arranjos florais, mostra de paisagismo e jardinagem, danças típicas holandesas, passeio turístico, chuva de pétalas e shopping das flores. A exposição tem edição anual, sempre dando boas vindas à primavera.


Decoração fácil: caixotes de madeira 
Caixotes são boas opções de materiais para decorações externas, porque permitem um toque rústico que valoriza as plantas e flores. Confiram as ideias...

Decoração criativa: pneus
Pneus foram bem trabalhados para alegrar as áreas externas — sempre com um toque descontraído e ‘de improviso’ — e eu particularmente adorei a ideia de encaixá-los em caminhos com flores (segunda foto abaixo).

Decoração criativa: bônus
O adesivo de girafa ganhou um toque ainda mais criativo com o vaso completando o cenário e a ideia.Curtiram?

Acabamento: arranjos por todos os cantos
Flores e plantas foram muito bem distribuídas, nos ambientes, em taças, gaiolas e vasos de vidro... Fiquei atenta aos detalhes e cliquei tudo para adaptarmos em casa! rs ♥

♥ Outros ambientes ♥
O tropicalismo, muito além da tradicional estampa floral, se expande aos tecidos de frutas, folhagens, às cores vibrantes e fresh (como o laranja e os tons neon) e animais selvagens (estampas de tigre e onça, por exemplo). A atenção em alguns detalhes permite compor composições variadas para ocasiões diversas.Confiram!

♥♥♥


♥ Tropical chic ♥
Cintura marcada, bolsa carteiro (clutch), salto alto ou colarzão, e pronto! O mesmo vestido (ou short, ou camisa) estampado que é usado em praias, chácaras e clubes, também pode compor um visual mais formal.


♥ Nem tão quente assim... ♥
‘E se eu investir numa peça que, passado o verão, ficará esquecida em meu armário?’. Bem, a moda é democrática. Ainda que se invista em frutas, por exemplo, estampas altamente tropicais, é possível combiná-las com peças neutras e lisas que componham um look bonito de inverno.


11 de julho de 2014
Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? Não, não e não. Espelho meu, seu - nenhum! - chegaria a tamanha ousadia. Algumas das lembranças mais remotas, da infância, são as tardes de Branca de Neve e os Sete Anões. Era o meu desenho preferido, de modo que algumas cenas eram absorvidas por mim intensamente: o canto da Branca de Neve para os pássaros, a maçã envenenada que, de tão formosa e vermelha, me atraía, a floresta negra e perigosa. Finalmente, a Rainha Má. Ela. O exemplo de maldade e feiura que eu carreguei. Modelo que, aos poucos, foi amadurecendo... Os espelhos da vida refletiram outras feiuras que não a vaidade da rainha.

Angelina Jolie como Malévola, vilã de Bela Adormecida.
Sapatinho de cristal, vestido bufante e cavalo branco à parte, as princesas, modelo de feminilidade e delicadeza, sempre trouxeram mais do mesmo: a bondade inocentemente cega, a beleza inquestionavelmente atraente, a voz heroicamente cantarolante (que afasta todos os problemas do mundo - ou, chama esquilos e coelhos da floresta para isso).
E então você me pergunta: e a maldade? Ah, a maldade. Cercada de rugas, peles verdes, vozes grossas e olhares sombrios e, sim, meio amarelados. Cenas escandalosamente úmidas e escuras. [Já repararam o quanto chove, no momento em que se apresenta um vilão? Será a tempestade o símbolo ou a previsão de algo sombrio por vir?]
A questão é que a maldade, por um motivo ou outro, vem sempre acompanhada de criaturas disformes ou mulheres em idade muito avançada. Bem, até Angelina Jolie. Espelho, espelho meu, melhor eu não perguntar agora.
Malévola, recente produção da Walt Disney Pictures, dirigida pelo Robert Stromberg, traz a receita: vilã como personagem principal, os lábios carnudos mais populares de Hollywood pintados de vermelho. Angelina, após quatro anos dedicados à família, volta às telas de cinema, em filme que desbancou a nova produção de X-Men, arrecadando, durante o primeiro fim de semana de exibição, US$ 70 milhões (contra os US$ 32,6 milhões de ‘X-Men: Dias de um futuro esquecido’). 
Interessante se fosse uma causalidade, mas, a beleza representada por um papel de personagem má não é o único ingrediente incomum que surge no prato principal. Nosso paladar, ao assistir ‘Malévola’, ganha sabor diversificado pelo incremento às novas ‘especiarias’ do filme: um roteiro pouco convencional.
A trama é introduzida por uma luta, travada em poucos minutos desde o início da narrativa. A ação nos coloca aos plenos fôlegos que um desfecho permitiria. Tudo ali, logo de cara. O momento é propício ao contexto social e ao entendimento da história. A sequência que se desenrola, revela o hibridismo entre arte e humanização: enquanto os cenários ganham cores e magia, representados pelas fadas, flores e florestas, a história e os personagens trazem apelo verdadeiramente humano. Nos aproxima pelas emoções, atitudes e escolhas.
E Angelina? Bem, a tal da maldade fica bonita, fica em cena, ganha corpo. Malévola sobrepõe-se à princesa do próprio conto de fadas: a tal ‘preguiçosa’ Aurora, que nunca compreendi ao certo. E então você me pergunta:  espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? Só que a maldade, nesse caso, vai muito além de estética. Ela chega à sua própria raiz.
A criatividade da produção atinge o ponto delicado em que muitas outras não foram capazes de expressar: e o mal, de onde vem? Me parece que ele está sempre enlatado, pronto para ser engolido goela abaixo. Isso porque, como já dizia Thomas Hobbes, a natureza do homem é conflitiva - ‘O homem é o lobo do homem’. E, então, pouco nos é explicado: filmes, livros e produções culturais simplesmente fazem-nos engolir a maldade. 
Aqui, não. Nós a mastigamos. ‘Malévola’, portanto, torna-se insuportavelmente íntimo: nos expõe às suas causas e razões de ser. Em entrevista à Folha de S. Paulo, a própria Angelina Jolie afirma que ‘para combater o mal, precisamos entendê-lo’. Curioso é que, em charme e elegância, a atriz interpreta sua própria teoria.
Há uma frase do poeta inglês John Milton de que gosto muito e diz que ‘toda a maldade é fraqueza’. No caso de Malévola, um pacote de pipoca amanteigada e um ingresso são o bastante para comprovar tal afirmação. Fraca ou não, mantém-se bela e intensa; Muito mais exposta a nós, do que um simples reflexo de Rainha Má. Espelho, espelho meu, existe... Ah, deixa pra lá!

Vem, me dê a mão. A gente agora já não tinha medo. No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido...
 — Chico Buarque




Três Sombras é uma história em quadrinhos de Cyril Pedrosa, que é francês e neto de portugueses. O autor, portanto, tem a influência desse carinho português-ibérico no quadrinho dele. O livro traz a história de um pai querendo proteger o filho de três sombras que ele vê no horizonte. Então, ele atravessa o mundo com o filho para protegê-lo dessas sombras. Um dia, ele descobre que não adianta [querer controlar] - a vida é muito maior do que isso. É um quadrinho lindo, delicado, com ilustrações muito bonitas em preto e branco. É uma história emocionante e muito bonita sobre carinho de pai e filho e acho que vale a pena ler por conta disso... É a história sobre a vida que a gente não controla. É muito bonito’.



‘É um clássico da literatura de formação, no sentido de que ele expõe, no contexto da história, o quanto nós - homens - podemos ser maus e ruins. De que forma? A história trata de crianças que sobrevivem a um acidente - sem nenhum adulto e ficam em seu estado de natureza bruta. Então, tudo aquilo que existe em todos nós, latente à sociedade e às normas de conduta, que acabam freando e nos modelando, não passa por lá. Lá não tem esse limite. Como criança já não tem nenhum limite, então imagine sem um adulto ou uma força que possa direcionar os instintos delas. Elas se tornam seu estado de natureza pura - para o bem e para o mal. O livro expõe tudo isso. O Senhor das Moscas é uma alegoria que expõe tudo o que a gente tem de mais perverso; usando como figura as crianças, que variam entre 6 a 14 anos. Tem 60 anos desde a sua publicação e é uma leitura cada vez mais atual. Leitura obrigatória em escolas inglesas e britânicas’.



‘Para as férias, uma ótima opção de leitura é Um Chinês de Bicicleta, do argentino Ariel Magnus. Na cidade de Buenos Aires atual, um antigo bairro judeu é hoje ocupado por chineses, colocando frente a frente duas das culturas mais antigas do mundo. 
Nesse cenário, incêndios criminosos e um sequestro deveras incomum compõe a trama insólita e divertida. 
Pra quem gosta de histórias bem construídas que conta, ainda, com um humor sutil e inteligente’.



A visita cruel do tempo já começa a trair por conta do próprio título. Na medida em que você lê o livro, percebe que os personagens estão sempre perdidos em questionamento e contemplações em relação a uma época perdida da vida deles. Os personagens estão ligados, de alguma forma, à indústria fonográfica atual. Por isso, existem várias situações sobre o que foi música de qualidade e as ‘porcarias’ de hoje em dia. Os músicos e as bandas perderam a identidade; Todos são cópias de cópias de um estilo que fez sucesso no passado porque era genuíno; era único... Talvez um estilo mais despojado. Tudo o que a gente tem hoje, de acordo com os personagens, é uma cópia de uma cópia. O grande sentido de se trabalhar com música, até mesmo pra eles que precisam caçar talentos e procurar novas oportunidades de vendas na indústria é uma tarefa entediante - eles não conseguem ver nada de bom. Esses personagens também fazem uma contemplação a eles mesmos; à vida deles - ‘É o tempo que é cruel ou é o tempo que você olha pra trás e percebe que passou e isso é realmente cruel?’ Porque agora você não tem mais o ‘o que eu vou fazer da minha vida? Vou fazer faculdade? Vou casar?’. Não dá mais pra pensar nisso. Você fez uma escolha e você tem a consequência dela. Você tem que viver com essa consequência. Você é a consequência e toda escolha é uma renúncia, também.


‘Escrito pelo Stan Lee - criador de super heróis como o Capitão América, o Homem Aranha, o Hulk - que deve estar com seus 80 anos, em todo filme da Marvel que sai nos cinemas, ele faz uma ponta (seja de 3 ou 4 segundos). Ele aparece sempre. O outro ilustrador é o John Buscema - que é tipo um Michelangelo dos quadrinhos da Marvel; o cara é histórico. Os dois dão todos os macetes para se desenhar os personagens, os cenários, as perspectivas, além que quais materiais usar para desenhar quadrinhos - sempre de maneira bem humorada. O Stan Lee tem várias sacadas legais e irônicas durante as explicações, então fica uma coisa bem gostosa e relaxada de se aprender; Não fica maçante, é bem divertido e dá uma boa base para se desenhar super heróis. Para quem curte e quer passar as férias praticando suas habilidades de desenhista, é uma boa pedida!’.


Quem passa pela avenida do centro de Amparo, cidade do interior de São Paulo, logo avista: uma janela colorida e simpática, de cara para a rua. ‘Aqui tem doce!’, uma plaquinha cor-de-rosa avisa. E, entre quadros de brigadeiro e cupcakes, a artista plástica de 27 anos Iara Battoni vende doces e arranca sorrisos e olhares curiosos. 

O nome, ‘namoradeira’, se refere às esculturas tradicionais mineiras que ficam nas janelas. ‘A janela da namoradeira’ era, no início, ‘O chocolate da namoradeira’, que inaugurou provisoriamente durante o festival de inverno de Amparo em julho de 2012. Com o evento rolando e, em três dias, Iara Battoni preparou uma decoração e abriu a janela de seu próprio quarto para as pessoas que ali passavam com destino ao festival. O intuito era vender chocolate quente durante as próximas semanas do evento. Terminado o festival, Iara fechou a janela. Com o apoio da família e de alguns fregueses, tornou a abri-la em agosto do mesmo ano. O cardápio expandiu, e as palhas italianas se tornaram um dos carros chefes da marca. Conforme os clientes pediam, Iara incluía novos doces. ‘É um jogo de cintura’, explica. Hoje, o menu conta com uma variedade de doces fixos, mas está sempre em expansão - como os sabores de cupcakes que, a cada mês, ganham uma novidade (o deste mês é limão siciliano com framboesa e raspas de chocolate branco).

 

Os quadros que decoram a janela é uma arte à parte: além da produção de doces, Iara também cuida doprocesso criativo da marca: muda a decoração da janela e do cardápio conforme a época, estação ou celebração. Em telas brancas, a jovem de 27 anos colore cupcakes, chocolate gelado, brigadeiro, palha italiana, pão de mel e strogonoff de nozes em cores delicadas. A arte não é um acaso: Iara juntou seu talento profissional e vocacional para trazer sorrisos e sabores a quem a visita. ‘Você tem que unir tudo o que você aprendeu e colocar isso a seu favor. Eu uni tudo, assim. Eu uni tudo o que eu aprendi’, afirma.




Iara teve contato com doces desde os doze anos - época em que começou a ajudar sua mãe a fazer chocolate, atividade que a ocupou até os vinte. Depois disso, engrenou na vida universitária: estudoutécnico em moda em Campinas e, em seguida, Artes com Habilitação em Indumentária e Figurino no Rio de Janeiro. Em quatro anos, a artista e empreendedora trabalhou como assistente de adereço, figurinista em teatros, espetáculos de dança, e ainda teve a oportunidade de trabalhar com doces cenográficos. No último ano da faculdade, conta que estudou formação empreendedora e logo se identificou com a disciplina: sempre quis ter seu negócio próprio. 


Depois de quatro anos trabalhando em sua área, Iara desanimou. De volta à cidade natal e desempregada, mudou a decoração do quarto (que tinha a tal janela para uma avenida movimentada de Amparo) e então tudo começou. Já que não tinha muita privacidade em seu quarto, resolveu abrir o tão sonhado negócio com as ferramentas que possuía: criatividade e persistência (com um toque bem doce!). ‘Basta querer mesmo. É a persistência. Nada é fácil’, diz. Todo o conhecimento, as habilidades e as experiências adquiridas no curso, nas atividades com a sua mãe e no período em que morou no Rio de Janeiro foram fundamentais para que Iara unisse tudo para o negócio engrenar. ‘Dá muito trabalho. Se você não pensa, o negócio não vai. Não pode parar’, explica.


Hoje, a página do facebook de A janela da namoradeira conta com mais de 6 mil seguidores e Iara já foi protagonista de entrevistas para o jornal A Tribuna de Amparo/SP, o site de notícias Catraca Livre, o Mulher de negócio, a Época negócios e uma série de páginas na internet (que contribuíram ainda mais para a divulgação e o sucesso). Já no fim da entrevista, quando pergunto o que ela aprendeu com toda a experiência, Iara pensa uns segundos, e responde com simplicidade e sorriso no rosto: ‘Eu não sabia que era capaz de tudo isso’


A janela da Namoradeira: doceria criativa — Por uma janela mais e mais colorida e doce
Av. Bernardino de Campos, 304 - Centro. Amparo/SP
19 3938-4746 / 19 99251-1902